sábado, 27 de novembro de 2010

LISBON REVISITED (1923)


Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ­
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Têm-se a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio, quero estar sozinho!


                                                      ALVARO DE CAMPOS 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Eu: O ser imperfeito




       Poderei escrever enormes cartas, tantas outras frases
       Mas anseio mesmo é pelo meu tenso pensamento
       Minhas  palavras, bem nem sei mais se importam tanto assim
       As ações proferidas por mim tem ao longo de tudo ganhado espaço
       Tenho um sentimento de culpa tão fulgaz...!
        Deixei cair tantos, tantos grãos nessa estrada.

        E nenhum deles tive coragem de ver nascer
        Pois antes de tudo começar..Eu simplesmente fecho os olhos    ....TENSO...
       E quando menos espero,estou lá, sentada ,sozinha, calada, tão longe de mim.. Tão longe de todos!
      Um desejo estranho domina meus ares, a vontade de voltar atrás quando já não é mais possível
       Num dia qualquer eu saio de mim, tomo posses diferentes,
       Sou eu :O ser
imperfeito....

                                                                                 ELISSÂNIA MENDES